Westworld já teve dias melhores. Em 2016, a série parecia ser a sucessora espiritual de Game of Thrones como o carro-chefe da HBO. No entanto, a segunda temporada afastou boa parte do grande público por causa da complexidade dos seus temas. Por esse motivo, o terceiro ano acabou sendo mais simples, o que tirou toda a essência da série e a transformou num produto sem alma.

Então a quarta temporada chegou neste último domingo (27) sem muito alarde. A emissora divulgou apenas dois teasers e um pôster, que revelou pouco sobre a história. Há aqueles que acompanham séries até o final independente da qualidade, mas tem aqueles que farão a pergunta que está no título dessa matéria: ainda vale a pena? Sem querer ser muito otimista, mas baseando no primeiros episódio, vale bastante! Os motivos a gente conta logo abaixo.

Um novo começo

Reprodução/HBO

Chamado de “Os Presságios”, o episódio abre tal como o episódio piloto começava, com Evan Rachel Wood despertando para começar um novo dia. A diferença é que anteriormente a atriz interpretava Dolores, uma das peças centrais do parque criado por Robert Ford. Agora ela interpreta Christina, uma roteirista de personagens secundários de um videogame que vive no meio de outros humanos (e até aonde sabemos, ela também é humana). O roteiro propositalmente nos faz questionar quem é essa personagem, ao mesmo tempo que nem ela parece saber. Cheia de questionamentos sobre o funcionamento da vida e não entende quando um homem aparece ameaçando sua existência.

A terceira temporada foi um verdadeiro banho de água fria em relação às teorias, algo que marcou tanto a primeira e a segunda. Então todo esse mistério se faz necessário para engajar o público novamente com a série. Aliás, vemos que há um considerável salto temporal justamente para evitar o máximo possível as ligações com o que aconteceu anteriormente. Um exemplo é a história de Caleb (Aaron Paul), que parece um personagem completamente novo graças ao pano de fundo que ele ganhou no espaço de sete anos entre as temporadas. Agora ele está casado e com uma filha, mas sofre de transtorno pós-traumático após ter lutado em uma guerra.

O único ponto baixo da série até aqui é a edição. Há três núcleos acontecendo ao mesmo tempo e toda vez que precisa fazer uma transição para contar a história de outro personagem, surge tela preta sem nenhuma sutileza. Esse detalhe chega a incomodar em momentos que há uma troca rápida entre núcleos e aí parece que quebra o ritmo do episódio várias e várias vezes. Mas felizmente que o único defeito até aqui esteja na parte técnica e não no roteiro.

A ambientação

Reprodução/HBO

A temporada passada introduziu o mundo real, que apesar de bem introduzido passou longe de impressionar como os parques. Dessa vez, a série parece empenhada em mostrar diversos cenários diferentes e elementos que chamam a atenção. Quando Maeve (Thandie Newton) aparece, ela está no meio da floresta e até acontece uma cena de ação nesse cenário. Christina vive numa região metropolitana, em uma casa simples mas com uma tecnologia impressionante na qual sua cama se transforma num closet. Já Caleb vive numa área mais industrial, o que condiz com seu trabalho.

Novamente, ainda não é tão interessante quanto o parque Westworld, mas há uma tentativa de criar um mundo autêntico. Isso por si só mostra como a equipe por trás da série está interessada em colocar as coisas no eixo e oferecer uma narrativa que cative o público.

Novos episódios aos domingos

Westworld tem exibição nos canais HBO e está no catálogo da HBO Max. Os novos episódios chegarão semanalmente aos domingos, às 23h no horário de Brasília.

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