Já faz dez anos desde que Loki (Tom Hiddleston) apareceu no MCU, como o antagonista de Thor, um dos piores filmes do estúdio até então. No entanto, sua participação foi o grande destaque e que foi em Vingadores um vilão digno da reunião dos maiores heróis da Terra. Mas ao passar dos anos, ele foi tendo seu arco de redenção até se sacrificar para salvar seu irmão em Guerra Infinita.

Essa versão do personagem teve o seu início e o seu fim. Mas em Ultimato, quando Os Vingadores viajam no tempo e revisitam a Batalha de Nova York, eles deixam com que Loki escapasse com o Tesseract. Esse evento não estava previsto para acontecer na linha do tempo original, o que fez com que a TVA (sigla em inglês para Autoridade de Variância Temporal) o prenda.

A partir deste ponto, a série Loki colocará uma versão do personagem que acabou de ser derrotado, mas tem a sede de dominar. Sendo assim, trata de uma versão completamente nova do personagem e imprevisível, por não ter vivenciado na pele os eventos anteriores.

O Retalho teve o privilégio de ter assistido não apenas ao primeiro episódio liberado nesta quarta, como também ao segundo! Sendo assim, contaremos com um olhar mais aprofundado sobre esta nova aventura do Marvel Studios.

Disney+ é a sessão de terapia da Marvel

(L-R): Mobius (Owen Wilson) and Loki (Tom Hiddleston) in Marvel Studios’ LOKI, exclusively on Disney+. Photo by Chuck Zlotnick. ©Marvel Studios 2021. All Rights Reserved.

Sem perder muito tempo, o primeiro episódio nos traz o começo da relação do Agente Mobius (Owen Wilson) e Loki. Apesar de ter recebido a culpa de alterar a linha do tempo, o Deus da Trapaça é salvo para ajudar a TVA em uma missão. Mas antes disso, ele precisa passar por um interrogatório de Mobius para que lhe contasse o motivo de ter cometido algumas atrocidades.

Tal como Falcão e o Soldado Invernal fez com Bucky e WandaVision com Wanda, temos aqui um novo momento de terapia. Loki vive sob o discurso de que possui um grande propósito e por isso quer governar a todos, para que torne a vida das pessoas mais fácil. No entanto, neste caminho ele esbanja sangue, sofrimento e fracassos, que levam heróis a atingirem seu potencial.

Aqui, o roteiro de Michael Waldron se mostra brilhante em fazer este estudo de personagem sem repetir nada do que já foi feito. Por mais que já houvesse uma redenção nos filmes, nunca ficou claro o que o motivava a fazer o que ele fazia. A série não só faz isso, como já de cara cria uma relação entre o personagem e a organização temporal. O sentimento de estar sendo controlado e não controlando, tira o personagem da zona de conforto e o deixa exposto a novas possibilidades.

Brega, porém legal

Judge Renslayer (Gugu Mbatha-Raw) in Marvel Studios’ LOKI, exclusively on Disney+. Photo by Chuck Zlotnick. ©Marvel Studios 2021. All Rights Reserved.

A estética da TVA traz tudo que é considerado clichê sobre escritórios na cultura pop. Desde a parte burocrática até os funcionários que parecem não terem nenhum proposito na vida além de trabalhar – o que no caso aqui eles realmente não têm. É um contraponto a todo o luxo e grandeza que o personagem sempre quis.

A partir disto, a série desenvolve sua parte cômica e que dá carisma para a história. Mas o ponto alto está na relação entre Owen Wilson e Tom Hiddleston. Boa parte das tiradas cômicas vem da interação dos dois, principalmente a partir do segundo episódio. Eles funcionam tanto na parte investigativa, como uma aliança improvável, ainda que claramente não há uma confiança entre eles.

Existe uma certa semelhança com Rick and Morty em alguns momentos e não é por acaso. Waldron também foi roteirista da série e assinou o episódio em que Rick apenas quer defecar em paz. Ou seja, criar situações bobas e logo depois fazer uma discussão existencial é uma tarefa fácil para o roteirista.

A série com mais impacto ao MCU

Loki introduz pela primeira vez o conceito de multiverso explicado e sem mais espaço para teorias de como ele irá acontecer. Ainda não podemos entrar em mais detalhes, mas ao fim do segundo episódio haverá um gancho enorme sobre o que poderá acontecer no futuro do MCU. Ou seja, diferente das duas séries anteriores do Marvel Studios, os eventos aqui possuem uma escala maior de relevância a todo o universo.

Por isso que logo de cara, se descarta a possibilidade de resolver as coisas com Joias do Infinito. Elas fazem parte de um acontecimento passado e agora precisa de novos conceitos e resoluções para a nova ameaça que é o multiverso.

Se continuar neste nível de qualidade nas próximas semanas, podemos esperar um enorme barulho dos fãs.