Quem não ama um filme clichê adolescente? Aqueles que nós sabemos que vai ter aquele casal que enfrenta dificuldades mas no fim vai ficar junto; que vai ter uma mensagem motivacional sobre superar seus medos e tudo vai dar certo ou que vai romantizar o ensino médio com todas as maravilhas possíveis. É por isso que o assunto deste artigo será High School Musical: The Musical: The Series do Disney+.

A série foi um dos títulos de lançamento do serviço em 2019 e passou despercebida por causa de The Mandalorian. No entanto, recentemente a atriz e cantora Olivia Rodrigo bombou no mundo da música e elevou o sucesso da série. Isso porque ela interpreta aqui a protagonista Nini e tem canções originais escritas pela mesma.

O nome extenso e um tanto cheio de informação não é atoa. A identidade da produção traduz bem a geração millennial e não é difícil conseguir se identificar com os temas propostos. Mas diferente de séries dramáticas, aqui é tudo feito com uma leveza que nos faz ter esperança de dias mais simples.

A Premissa

Reprodução/Disney

Apesar do nome, não se trata de uma série que se passa no mesmo universo dos filmes, ou que se preocupa de repetir a fórmula. Na verdade, a conexão com o sucesso do Disney Channel se dá por acompanharmos um grupo de estudantes da East High School. Essa é a mesma escola aonde aconteceram as gravações de High School Musical, mas nunca gravou uma peça sobre os filmes.

Então a Sra. Jenn (Kate Reinders), uma professora que diz ter participado do elenco original, surge se oferecendo a dirigir uma produção após as férias de meio de ano. Então acontecem os testes e ai vamos conhecendo os personagens principais da série. Entre eles, estão Nini e Ricky (Joshua Basset), dois jovens que já foram um casal que acabou se separando pela falta de atitude de Ricky.

A jovem agora namora E.J. (Matt Cornett), o garoto mais popular da escola e das redes sociais. Ambos tentam fazer o teste para serem Troy e Gabriela, ela consegue mas o papel de Troy acaba indo para Ricky. Assim, o ex-casal precisam lidar com seus problemas do passado para que possam entregar a peça, enquanto E.J. lidará com os ciúmes.

Já dá para sentir o cheiro de como tudo irá terminar, certo?

Os Coadjuvantes

Da esquerda para direita: Gina, Big Red e Ashlyn – Reprodução/Disney

É preciso deixar claro que o brilho da primeira temporada está nos coadjuvantes. Não à toa, eles acabam tomando todo o protagonismo no segundo ano que está atualmente sendo exibido semanalmente. Isso porque o triangulo amoroso entre Ricky, EJ e Nini soa problemático em alguns níveis e é difícil embarcar totalmente nessa história, apesar de que melhora do meio pro final.

Mas quem são os coadjuvantes? O primeiro que merece todo o destaque é Carlos (Frankie A. Rodriguez), o coreógrafo que entra de cabeça no projeto da peça. Ele é o coração do grupo de teatro e forma o casal mais fofo de toda série com Sebastian (Joe Serafini), o ator escalado para ser a Sharpay.

Outra personagem bem desenvolvida é Gina (Sofia Wylie). No início parece que vai cair nos estereótipos da rivalidade feminina e da personagem negra que vai trazer problemas ao casal principal, mas isso cai logo por terra. Justamente por essas características e por ter sido criada apenas pela sua mãe, a vida toda ela precisou se provar duas vezes mais que todos. O grupo acaba a acolhendo e ela perceberá que a vida não precisa uma eterna competição. Não à toa que ela e Carlos possuem uma conexão por entenderem a luta um do outro.

Ashlyn (Julia Lester) e Big Red (Larry Saperstein) são outro casal fofo da série, mas que possuem destaque apenas na segunda temporada. Por último mas não menos importante, a Kourtney (Dara Reneé) é outra personagem que fica à beira de cair em um estereótipo, como amiga da protagonista. Felizmente ela recebe um desenvolvimento aonde ela para de ter que lidar com os dramas de Nini e passa a lidar com suas próprias motivações.

A Representatividade

Reprodução/Disney

O elenco é bem diversificado, fugindo da armadilha de escalar atores padronizados para os papéis. Isso funciona, os personagens são como pessoas reais que temos no dia-a-dia. Quando o grupo está junto, funciona como uma família para qual nós torcemos que vençam seus obstáculos.

É certo de que, como citado acima, existem momentos problemáticos na primeira metade da primeira temporada. Rick não supera o término e faz de tudo para que eles possam voltar, mesmo que ela esteja com outro. Chegam a ser incomodas as suas tentativas de interferir na vida da garota e a sua rivalidade com E.J.. Nini não possui grandes motivações a não ser procurar um namorado ideal para sua vida

Quando isso é deixado totalmente de lado ou é resolvido, a série evolui bastante e consegue trabalhar questões mais importantes.

O episódio 5 da segunda temporada é simplesmente lindo, quando o grupo decide comemorar o aniversário de Carlos. No México, quando alguém completa 15 anos, é realizado o “Quinceañero“, que marca a transição da adolescência para a vida adulta. O episódio é uma celebração à cultura mexicana e à força que o personagem, assim como o ator carrega por lutar dobrado por duas causas, a lgbt e como imigrante nos EUA.

A Recomendação

Música da trilha sonora original da série

High School Musical: The Musical: The Series é uma série que vale a pena assistir seja pela Olivia Rodrigo, pelos personagens, pelas músicas e claro, pelo clichê. É um entretenimento de qualidade para quem procura apenas histórias leves e que vão deixar o coração quentinho.

O sexto episódio da segunda temporada será exibido nesta sexta (18) no Disney+.

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