Dark tem seus inúmeros dilemas e paradoxos que são explorados de todas as formas possíveis, podemos acompanhar desde o começo da série os problemas como Bootstrap, Zhuangzi e Schrödinger, porém um que me chama atenção é a forma que a série trabalha no paradoxo de Teseu.

Para quem não sabe o paradoxo de Teseu consiste em mudanças, imagine um barco histórico já aposentado de suas navegações e que agora está sendo preservado em um museu, porém com o passar dos anos ele vai envelhecendo, com isso suas peças vão sendo trocadas para que se preserve o barco, ao final de todas as trocas o barco está inteiramente renovado, porém fica a questão, é o mesmo barco? Se não, em que momento ele deixou de ser?

Podemos levar esse dilema até os personagens e suas inúmeras versões, em qual momento foi o ponto de virada para cada personagem? Dark deixa essas questões e reflexões para que você se auto-analise e pense que versão melhor te define, quem é você agora? É uma pessoa diferente de você a 5 anos atrás?

Vemos por várias vezes inúmeras versões do Jonas e da Martha, sejam eles como Adam e Eva ou não e percebemos como as mudanças caracterizam o seu novo EU, porém notamos que ainda existe a essência inocente de cada um ali, conforme cada episódio da nova temporada vai passando, conseguimos cada vez mais enxergar mais Jonas no Adam e mais Martha em Eva, e isso nos leva até o ápice onde ambos se encontram no final e deixa de existir a dor de uma vida inteira lutando um contra o outro.

Nós como seres falhos mudamos a cada minuto e deixamos nosso EU no passado para nos transformarmos em uma pessoa nova em um piscar de olhos, aliás, o futuro está a um piscar de olhos se pensarmos bem, e com o futuro tão próximo, não existe motivo para ficarmos preso em um passado.

A série luta para que você entenda que o caminho sempre é seguir em frente, o passado dolorido de alguns personagens na série é o que desencadeia as duas realidades paralelas que existem fora do mundo de origem, evidenciando que se prender a dores passadas só nos leva a mais dor.

O paradoxo de Teseu não é tão difícil de se entender como os outros, porém é o meu preferido dos que são mostrados na série, muito por se relacionar diretamente com quem assiste, afinal, todos queríamos mudar algo no passado, porém o passado já está escrito, o ciclo já é formado por todos nós, basta sabermos mudar para melhor e seguir em frente.

Dark é uma série complexa, mas com uma mensagem simples, não adianta mudarmos o passado com um futuro incerto, estaremos sempre fadados a um ciclo sem fim, incrivelmente continuaremos com um pensamento de mudar tudo, só que na verdade seremos uma pequena parte de uma engrenagem que nunca é desfeita.

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