Ao sair de Westworld, Dolores (Evan Rachel Wood) começa a colocar o seu plano em prática para colocar um fim na raça humana e se vingar dos maus tratos que sua espécie sofria no parque. Só não esperava que a humanidade estaria sob o controle de Serac (Vincent Cassel), dono de uma empresa multibilionária e responsável por uma poderosa inteligencia artificial chamada de Rehoboam, que determina o futuro das pessoas. Por isso, ela acaba tendo a ajuda de Caleb (Aaron Paul) um humano que decide se virar contra o sistema.

Aviso: Este texto contém spoilers

Quando assisti ao primeiro episódio, escrevi um texto com as primeiras impressões e estava bastante otimista com o rumo que a série estava levando, ao apresentar um futuro de 2058 com diversas camadas sociais e com uma eminente guerra de androides para acontecer. Era o começo de um sonho, mas acabou dando tudo errado.

Se nos anos anteriores, os telespectadores reclamavam que era meio difícil entender tudo que estava acontecendo, devida as inúmeras referências religiosas e uma narrativa fragmentada, agora os showrunners Jonathan Nolan e Lisa Joy decidiram fazer uma história mais palatável ao grande público e que pudesse ser o grande carro-chefe da HBO. Foi uma decisão louvável mas com seus riscos e esses acabaram se sobrepondo até demais.

A partir do momento que a série ganhou esse filtro mais puro, acabou que também invalidando diversos personagens que possuíam suas singularidades, motivo para qual os fãs investiram seu tempo acompanhando e torcendo para que, ou eles atingissem seus objetivos ou oferecessem desdobramentos que movimentasse a história e explorasse mais da mitologia desse universo. Exemplificando esses dois pontos, é onde encontramos Maeve (Thandie Newton) e Bernard/Arnold (Jeffrey Wright).

(Reprodução/HBO)

Maeve é uma das personagens centrais da trama e só não a chamamos de protagonista porque supostamente a série não deveria ter uma. Desde a primeira temporada vemos ela se libertando de sua programação para que adquirisse consciência própria e destravando habilidades, até que conseguisse controle sobre outros anfitriões para que eles também tivessem sua liberdade. Ao chegarmos nessa nova temporada, a personagem repete seu arco já terminado na temporada anterior sobre sua filha e, passa o tempo inteiro sem nenhuma justificativa inteligente de estar contra Dolores.

Bernard é outro que fica jogado na história, parecendo completamente perdido no que precisa fazer. Aliás, sua dupla com Stubbs (Liam Hemsworth) mais soa como se ambos fossem dois bobos atrapalhados tentando evitar o inevitável. Para um personagem que é uma cópia da mente por trás de todos os androides (ao lado de Ford) e foi peça central na última temporada, é muito pouco.

Isso tudo porque, a maneira mais simples que os roteiristas desta temporada encontraram para tornar Westworld mainstream foi: tornar uma série de ação. Claro que, isso não foi uma má ideia, mas deixar os personagens estúpidos e colocar diálogos expositivos e ruins por conta disso é um tanto decepcionante quando se constrói toda uma complexidade em duas temporadas anteriores. Se torna incoerente e perde a identidade. É impossível não terminar um episódio sem pensar “aquela cena poderia ser diferente”, mas sabemos que se fosse diferente, não teria a cena de ação. E piora ainda mais quando em alguns casos, uma decisão ou rumo que deveria ser tomado no começo, rola só no final por pura conveniência.

Por outro lado, nem tudo acaba sendo tão ruim assim e realmente existem bons acertos que devem ser levados para a quarta temporada, como o desenvolvimento de Charlotte (Tessa Thompson), que é aqui uma das cópias que Dolores faz de si mesma para conseguir executar seu plano. No início, ela é uma anfitriã que sofre de depressão, questiona seu lugar no mundo, se mutila e oferece as cenas mais delicadas da temporada e quiça da série ao todo. E, apesar de uma exposição desnecessária, vemos ela sendo mais humana que a Charlotte original, o que é um conceito de ficção cientifica bem interessante.

A ambientação é outro ponto positivo, apesar que fica uma sensação enorme de “quero mais”. O primeiro episódio mostra diversas camadas da sociedade, mas esquece disso no decorrer da trama. É uma consequência da temporada ter menos episódios, mas quando uma das principais discussões é o poder de escolha das pessoas que são manipuladas pelo Rehoboam, e não ter uma noção maior de como isso opera, acaba que não tendo impacto nas decisões tomadas no último episódio.

(Reprodução/HBO)

Ser mainstream, não necessariamente quer dizer se tornar estupido ou simples demais. Game of Thrones em suas primeiras temporadas tinha um roteiro extremamente corajoso e inteligente, e isso foi o suficiente para tornar a série uma das melhores de todos os tempos. Porém ao entrar mais na ação e esquecer dos personagens, acabou desapontando os fãs e isso acontece mais uma vez em uma produção da HBO. É decepcionante após dois anos de espera e se espera que revejam o roteiro da próxima temporada, que em tempos de pandemia, ninguém sabe quando sairá.

OBS: Não quis mencionar o papel do William, pois simplesmente não existiu e a conclusão foi pífia. Seus bons momentos são méritos apenas da atuação de Ed Harris.

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