A primeira temporada de The Boys foi uma grande surpresa em 2019, conquistando uma base fiel de fãs ao satirizar o gênero de filmes e séries de super-heróis, a forma como celebridades são idolatradas e como a indústria funciona em seus bastidores. Agora um ano depois, a segunda temporada chegou ao Prime Video com uma alta expectativa, tendo a missão de mostrar que tem conteúdo e qualidade para ser o carro chefe da Amazon nessa guerra dos streamings.

A trama acontece pouco tempo depois após o Capitão Pátria (Antony Starr) matar Madelyn Stillwell e mostrar a Billy Bruto (Karl Urban) que sua esposa Becca (Shantel VanSanten) não só estava viva, mas como é mãe do primeiro Super nascido com poderes. Agora, os Garotos são declarados como foragidos e precisam arrumar provas contra a Vaught para escancarar todos os podres da empresa, afim de terem suas fichas limpas e salvar a vida de Becca.

Nesse processo, somos apresentados a Tempesta (Aya Cash), uma misteriosa heroína com poderes elétricos e nova membro dos Sete. A personagem é o grande coração da temporada e quem move as principais discussões sociais que o roteiro coloca em pauta. Por conta disso, apesar de ainda manter o seu humor ácido, o novo ano tem um tom mais sério e maduro, deixando a sátira de lado e mostrando que tem muito o que falar.

Reprodução/Amazon Studios

Em um ano que ficou marcado pelos intensos protestos pelo movimento Black Lives Matter e contra o fascismo, The Boys traz um subtexto que debate supremacia branca, racismo, xenofobia, homofobia, corporativismo, fake news, alienação, poder da propaganda, politicagem e outros assuntos sem se perder ou parecer didático. Inclusive, a cena de abertura do episódio 7 reúne vários desses tópicos em apenas 3 minutos, sendo extremamente simbólica e crua ao mostrar como a internet consegue manipular as ações de um indivíduo através de mensagens disseminando o ódio.

Mas são nos personagens principais onde mora o verdadeiro brilho da série. O jeito excêntrico de se comportarem continua, mas as situações onde eles são colocados revelam muito mais de quem eles são de verdade. Billy e Pátria tem de longe os arcos mais interessantes de se acompanhar, pois se antes parecia que um era o mocinho e o outro o vilão, chega um certo ponto onde essa linha entre um e outro se torna bem tênue, onde até o maior passador de pano questionaria algumas ações.

Mas esse brilho só é possível não só graças ao roteiro (que por sua vez não é dos mais complexos), mas das atuações de todo o elenco, onde cada ator parece encaixado perfeitamente no que o seu personagem precisa oferecer. Em uma história onde há um grupo de humanos contra super-heróis delinquentes, se a série não tivesse um elenco com uma performance tão crível, era possível acabar caindo na galhofa.

Reprodução/Amazon Studios

Diferente do modelo que é adotado hoje em séries originais de streaming, os episódios foram pensados para serem lançados semanalmente. Isso influencia positivamente na narrativa da temporada, sendo possível notar que entre um episódio e outro, aconteciam pequenas passagens de tempo. Então conceitos apresentados em um episódio já estavam bem estabelecidos no seguinte, sem que a série pudesse ficar voltando toda hora nesse assunto, dando um folego a mais.

Entretanto, o roteiro tropeça poucas vezes ao dar tempo demais para algumas sub-tramas que não vão a lugar algum como a do Profundo (Chace Crawford) e acaba resolvendo algumas questões rápidas demais, dando uma impressão de anti-climax ou preguiçoso. Acontece de algum personagem ser descrito com qualidades que o deixa difícil de combater, mas graças ao roteirista existe uma solução mágica que deixa tudo mais fácil.

Mas isso não compromete a experiência completa e que agora que todos os episódios estão disponíveis, com certeza rende uma maratona a quem já viu e é uma ótima opção de entretenimento para quem ainda não conhece a série. The Boys agora está em um alto escalão das séries mainstream e a partir de agora a Amazon tem uma difícil tarefa de continuar contando uma história de alta qualidade.

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