Apesar de Star Wars ser muitas vezes ligado aos filmes numerais (ou seja, Episódios I ao IX), existem outras histórias a serem contadas nesse universo. Os cinemas já tentaram explorar isso com os filmes Rogue One e Han Solo, ainda que esses se prendam aos outros filmes.

Mas foi apenas com The Mandalorian, que a franquia conseguiu impactar o grande público com uma proposta diferente, mas ainda canônica. A série do Disney+ chegou misturando personagens antigos e novos, com uma história inédita após os eventos de O Retorno de Jedi, revitalizando a franquia.

Entretanto, a formula utilizada na série protagonizada por Mando e Baby Yoda já vinha sendo apresentada nas animações há um tempo atrás. Não por coincidência, um mesmo nome une as duas coisas: Dave Filloni. Por isso que é extremamente importante para todo fã conhecer o seu primeiro trabalho na franquia, Star Wars: The Clone Wars.

É normal olhar para esta série e ter dois tipos de preconceito. O primeiro é que a história se passa entre os Episódios II e III, que pertencem a uma trilogia repleta de problemas no seu roteiro. O segundo é por ser uma animação, logo passa a impressão de ser para crianças e não ter importância para o cânone. Ambos não poderiam estar mais errados, pois o roteiro é brilhante e o tom está na medida certa para jovens e adultos.

A trama

Anakin Skywalker – Reprodução/Walt Disney Company

Poderia ser uma saída fácil ignorar os acontecimentos dos prequels e tentar recontar a história, mas acontece o oposto aqui. A série pega os personagens que já conhecemos e traz novas camadas, justificando mais suas personalidades e ações. Quem se dá bem com esse roteiro melhor trabalhado é Anakin Skywalker, que deixa de ser uma só criança chorona e vira um personagem complexo.

Anakin passa a ter uma padawan, Ahsoka Tano, numa tentativa de fazê-lo controlar os seus elos sentimentais. Porém é com ela que ele passaria a questionar mais as ações do conselho Jedi e se desequilibraria em diversos momentos para a protegê-la. Até o seu romance com Padmé se torna interessante, já que a mesma se mostra uma mulher mais convicta de suas opiniões políticas e autentica.

Na parte da ação, finalmente conseguimos entender porque o jovem Jedi era considerado alguém tão poderoso quanto Yoda. Ou seja, é muito mais fácil torcer pela sua ascensão e mais dolorosa é a sua queda quando o lado negro começa a sucumbi-lo.

Capitão Rex, um dos destaques da série – Reprodução/Walt Disney Company

Mas não só de Anakin a série consegue brilhar. A Ordem Jedi e o Exército de Clones conseguem ter o destaque merecido que não tiveram nos prequels. Ao longo das temporadas, existem episódios focados em diferentes personagens, que servem para criar laços com eles e mostrar os outros lados da guerra.

Uma das estrelas é o Capitão Rex, forte aliado de Anakin e um dos homens de sua confiança. Rex começa aparecer aos poucos e sua personalidade vai lhe dando destaque, até se tornar alguém que começamos a admirar e torcer. Por sua causa, os outros clones conseguem ter mais destaque ao possuírem formas diferentes de pensar. Afinal, não é porque são clones que todos são iguais, muito pelo contrário.

Tom sombrio e leve na hora certa

Maul – Reprodução/Walt Disney Company

Não atoa que a última temporada da série recebeu uma classificação indicativa de 12 anos, Clone Wars não é totalmente infantil. Não totalmente porque existe os momentos onde a série é para crianças, com episódios focados em C3-PO, R2-D2, Jar Jar Binks e entre outros. Porém esses são os famosos fillers que preenchem as temporadas, pois nesse meio existe tramas sombrias.

Como exemplo, existe o retorno de Darth Maul e sua trama de vingança contra Obi-Wan e quando um clone descobre sobre a Ordem 66. Sem entrar em spoilers, mas momentos assim oferecem um roteiro mais maduro, não deixando a desejar para séries dramáticas. Afinal, como existe carta branca pra brincar com o destino desses personagens, tudo pode acontecer, e nem sempre é final feliz.

Por esses motivos, a série tanto serve como uma porta de entrada para o público jovem, tanto como essencial para o fã mais velho. Nisso o estilo de animação acerta em cheio, sendo uma parte caricatura dos personagens live-action e parte mais realista.

O motivo definitivo: Ahsoka Tano

Quando foi anunciado que Ahsoka seria uma personagem na segunda temporada de The Mandalorian, muitos não entenderam o hype. Por ter durado cinco temporadas (e agora estando na última temporada), a personagem teve um longo desenvolvimento, passando da sua inocência até a maturidade. E isso a torna extremamente carismática por ser divertida, destemida e um retrato do que Anakin poderia ser se não fosse pro lado negro.

Ademais, conhecer a personagem em suas origens servirá como bom contexto para a sua série que estreará no Disney+. Principalmente pela mesma ter tido grandes problemas com a Ordem Jedi, em um dos arcos mais tristes da série. Em Clone Wars, ela prova que tem competência pra ser uma protagonista e figurar entre os maiores personagens da franquia.

Ahsoka na última temporada – Reprodução/Walt Disney Company

Guia de como assistir

A série funciona de forma antológica até a sua quarta temporada, ou seja, os episódios não funcionam numa ordem cronológica e pode confundir. Por conta dos tons, existem arcos que são completamente descartáveis e fica a escolha do espectador assistir por entretenimento ou não. Normalmente cada arco dura até quatro episódios e outros que duram apenas um.

Para saber corretamente qual a ordem cronológica, confira essa lista montada pelo Enclave da Força – clique aqui.

Todos os episódios se encontram no Disney+, com o último chegando nesta sexta-feira (29). Para outras novidades do serviço, clique aqui.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui