Uma das maiores obras primas dos anos 90, junto a clássicos como Akira, Ghost in the Shell e Serial Experiments Lain, Cowboy Bebop é um sucesso de crítica e público, o que lhe rendeu um status cult pela originalidade e alta qualidade da produção.

Obra de Shinichiro Watanabe (diretor de outros clássicos como Samurai Champloo, Carole e Tuesday e Space Dandy) e da genial Yoko Kanno, compositora e produtora musical que se sagrou com Cowboy Bebop, mas tem um imenso currículo como compositora de grandes trilhas sonoras. E são justamente os arranjos musicais que fazem toda a diferença na sagração do anime, em processo de adaptação live-action pela Netflix. Todos os episódios estão disponíveis no Brasil pela Crunchyroll.

Universo e tripulação da Bebop

A trama nos leva a 2071, numa distopia intergaláctica na qual a Terra se tornou inabitável e outros planetas são habitáveis. Partindo da temática, podemos enquadrar a obra como um cyberpunk, embora a estética destoe completamente dos neons hipertecnológicos que marcam comumente o visual desse gênero. Shinichiro Watanabe nos traz a um universo completamente jazz inpired tecnológico, com uma vasta rede de criminosos intergalácticos, uma polícia corrupta e a necessidade de caçadores de recompensa para dar conta da segurança.

É nesse universo que acompanhamos os tripulantes da nave Bebop (uma inspiração numa das maiores correntes do jazz), composta pelos caçadores de recompensa Spike Spiegel e Jet Black. Sendo o primeiro um ex-membro da máfia e o segundo um ex-policial, e ao longo de seus 26 episódios temos a chegada dos novos tripulantes: Ein, o corgi geneticamente modificado para ter uma inteligência anormal, Faye Valentine, uma trapaceira incorrigível, e Ed, uma garota prodígio com admiráveis habilidades de hacker.

A importância da trilha sonora para a obra

É correto afirmar que sem a trilha sonora, o anime Cowboy Bebop como o conhecemos jamais existiria, uma vez que os episódios, intitulados de sessions, em mais uma referência (aliás, o que não falta na obra são referências), têm seu ritmo ditado pela soundtrack, composta majoritariamente (mas não exclusivamente!) de jazz. É aqui que mora a genialidade e originalidade da série, que inova ao trazer perseguições espaciais perfeitamente alinhadas com canções que evocam toda a ambientação do jazz.

Yoko Kanno brilhantemente montou a banda The Seatbelts para a criação e desenvolvimento da trilha do anime, e cada canção é capaz de nos conectar com o desenrolar da trama e com as jornadas individuais de cada personagem. Dito isto, vale conferir a playlist disponibilizada pelo Spotify com praticamente todas as canções presentes em Cowboy Bebop.

Individual versus Coletivo dentro da obra

Ao longo dos 26 episódios de Cowboy Bebop acompanhamos duas jornadas simultâneas: as aventuras e desventuras dos caçadores de recompensas numa galáxia profundamente corrompida e marcada pelas problemáticas capitalistas, onde a luta de classes e a desigualdade social nunca antes estiveram tão bem marcadas.

Vemos também as consequências de desastres ambientais de proporções catastróficas, a exemplo da Terra quase inabitável devido à queda de asteroides, além de outras questões como terrorismo biológico e guerras. Na distopia que Watanabe propõe, todos os problemas sociais enfrentados pela humanidade persistirão no futuro, sendo apenas amplificados pela disparidade cada vez maior entre avanço tecnológico e desenvolvimento humano.

Para além destas questões, ao longo da trama, as motivações e o passado de cada personagem nos são revelados, e particularidades nas personalidades de cada membro da Bebop são justificadas à medida que compreendemos esse passado. E suas jornadas individuais confluem de maneira muito orgânica ao final apresentado pela série. Podemos dizer então que Cowboy Bebop é uma obra sobre conhecer a si e seguir o destino, seja ele sobre encarar o seu passado ou aceitá-lo e seguir em frente. E a obra faz isso com maestria, fechando as jornadas que precisam ser fechadas e deixando em aberto aquilo que não precisa ser dito senão pela imaginação do espectador.

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