Dentro da indústria de animes e mangás, os títulos podem ser divididos em diversos gêneros e subgêneros, que podem variar de acordo com a classificação indicativa e/ou a temática central das obras. Categorias conhecidas como Shounen, Shoujo, Seinen e Josei designam o público-alvo pretendido por aquela obra, significando respectivamente garoto, garota, homem adulto e mulher. Já os gêneros têm uma ampla gama de temáticas, cada qual com subgêneros específicos.

Alguns desses subgêneros se tornaram tão populares que angariaram um público fiel focado nas obras desses estilos, como o mahou shoujo (garotas mágicas), com obras clássicas como Sailor Moon e Pretty Cure, além do gênero Mecha, com títulos como Neon Genesis Evangelion e Mobile Suit Gundam. Outro subgênero muito famoso entre os fãs de obras de ação é o Battle Royale.

O termo originalmente diz respeito a combates envolvendo três ou mais lutadores até que o último se mantenha em pé. Enquanto subgênero de anime usa-se esse conceito para caracterizar obras cujo enredo gire em torno de alguma espécie de jogo ou similar que obrigue seus participantes a lutarem até a morte dentro de um determinado período de tempo.

Tendo como motes principais violência e estratégia, o sucesso desses títulos está em conseguir apresentar e desenvolver bem seus personagens, de forma a criar certo apego ou empatia no expectador, com a premissa do “não se apegue a ninguém”. Listamos e analisamos aqui 5 animes Battle Royale para você:

Danganronpa: The Animation (2013)

Baseado na série de games homônima, a animação tem 13 episódios e teve seu enredo inspirado no primeiro game da franquia, Danganronpa: Trigger Happy Havoc. A trama segue Makoto Naegi, um adolescente que ganha como prêmio a oportunidade de estudar em uma escola diferenciada, onde cada aluno é o número 1 de seus respectivos campos de atuação – que vão desde esportes e estudos até categorias mais estranhas, como herança, sorte, apostas e clarividência.

No entanto, ao pisar na escola, Naegi descobre que ele e seus companheiros de turma estão presos no lugar e para ter alguma chance de saída, precisam matar seus colegas sem que sejam descobertos pelos outros, numa espécie de jogo de detetive e ladrão. Os alunos devem analisar as cenas de crime e em julgamento, mostrar as provas e apontar o culpado. Caso acertem, ele será punido com a morte, e caso errem, todos morrem (com exceção do verdadeiro assassino).

A excentricidade e originalidade dos personagens de Danganronpa somada a alguns recursos visuais que se aproximem da experiência visual proporcionada pelo jogo (como as animações de execução e o sangue cor de rosa) são elementos extremamente positivos e que envolvem o expectador. Outro acerto fica por conta das investigações e dos julgamentos, repletos de plot twists. Embora o protagonista seja genérico e sem muito carisma, assim como alguns personagens são um tanto aleatórios na trama, outros roubam a cena e fazem valer o tempo dedicado à obra.

Juuni Taisen (2017)

Baseado na light novel de mesmo nome, cuja tradução literal é “A Guerra dos Doze”, acompanha um torneio realizado a cada 12 anos com 12 guerreiros, cada um representando um animal do zodíaco chinês. Estes devem guerrear entre si até o último que ficar de pé, o qual terá um desejo realizado, qualquer que seja ele. As habilidades de luta de cada guerreiro variam desde combate físico puro até magia e outros truques.

No quesito técnico, a obra tem pouco a se criticar: muito bem animada, tem uma trilha sonora marcante e um design de personagens extremamente criativo, dando a cada guerreiro uma referência estética a seu animal zodiacal (algumas mais óbvias, outras nem tanto).

No que diz respeito ao enredo, Juuni Taisen acerta ao trazer backgrounds e motivações variados, mas ao longo dos doze episódios fica fácil prever quem será o próximo a morrer por meio dos flashbacks. Outro furo é a ordem em que os personagens aparecem na animação de encerramento. E embora ainda assim o desenrolar e desfecho da trama sejam satisfatórios, esses “spoilers” acabam por atrapalhar um pouco a experiência.

Mahou Shoujo Ikusei Keikaku (2016)

Mesclando o subgênero Battle Royale com o Mahou Shoujo, esse anime tem uma premissa e estética similares a sucessos como Puella Magi Madoka Magica, essa obra aposta em trazer um lado sangrento e violento ao universo das Mahou Shoujo sem necessariamente abandonar a estética fofa e delicada comum a esses títulos.

O enredo gira em torno de Koyuki Himekawa, uma estudante do fundamental apaixonada por garotas mágicas e ávida jogadora de games mobile com essa temática. Um dia, ela recebe de Fav, um mascote virtual um convite para se tornar uma garota mágica e salvar o dia junto com suas colegas.

Porém Fav logo coloca as garotas umas contra as outras ao anunciar que não possui mana suficiente para as 16 meninas daquela localidade e que as mais baixas no ranking semanal perderão a capacidade de se transformar e consequentemente morrerão. Isso desencadeia uma verdadeira guerra entre as garotas, em sua forma mágica e no mundo real.

Na parte técnica, Mahou Shoujo Ikusei Keikaku é impecável no quesito estética: as personagens têm designs originais que combinam com suas habilidades variadas e bem trabalhadas. A trilha sonora também é um espetáculo à parte e a animação é bem feita. Embora a violência mesclada às estéticas kawaii deem um tom assustador em alguns momentos, é certamente a melhor sacada do anime, e as personagens são bem construídas, com backgrounds interessantes – a partir dos quais se pode compreender a estética e o título de suas personas mahou shoujo.

Battle Royale (2000-2005)

Adaptação do livro homônimo em mangá, essa distopia se passa em um regime fascista intitulado “República da Grande Ásia Oriental”, que possui como um de seus mecanismos de controle mental um projeto chamado de “O Programa”, que consiste de escolher uma turma concluinte do colegial (que seria equivalente ao nosso 9º ano) e sob o pretexto de uma “viagem escolar”, enviá-los a uma ilha deserta com uma coleira acoplada com uma bomba.

O objetivo do Programa é que os alunos se matem numa determinada quantidade de tempo ou todas as coleiras explodirão. Cada um recebe uma bolsa com suprimentos básicos e uma arma ou ferramenta aleatória, além de um mapa com os quadrantes da ilha. Os alunos são sempre notificados por meio de um alto-falante quais zonas se tornarão proibidas, forçando os mesmos a afunilarem seu campo de atuação depois de certo tempo.

Tanto o livro quanto a adaptação em mangá foram publicados antes da trilogia Jogos Vorazes, de Suzanne Collins, que foi posteriormente acusada de plágio, graças à enorme similaridade entre as tramas. No que diz respeito ao mangá, é uma boa adaptação da obra original, sendo capaz de fazer o leitor criar identificação e apego aos personagens. No entanto, a obra peca ao representar adolescentes cuja idade média é 14-15 anos com aparência adulta e mais sexualização do que o necessário para a trama.

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