Todos os dias as pessoas estão atrás de novas coisas para se entreter, não importa se estamos em casa, no caminho do trabalho ou em qualquer outro lugar, sempre estamos buscando algo que nos entretenha (seja livros, músicas, jogos, filmes ou séries). Uma das maiores provas da nossa incansável busca pelo entretenimento foi a última edição do Big Brother Brasil, que como tudo aquilo que sempre atrai público (lançamento de filmes nos cinemas, futebol, etc) foi cancelado, teve a maior audiência de todos os tempos.

Algo que nunca se quer paramos para pensar é o preço do entretenimento, claro que aqui não falarei de valores relacionados a dinheiro, e sim valores “filosóficos”. Para poder comentar sobre o quão sofremos (ou fazemos sofrer) pelo entretenimento é preciso citar O Show de Truman, onde o personagem principal é desde antes mesmo do seu nascimento o centro de um reality show que acompanha toda sua rotina e crescimento sem que ele se quer desconfie. No decorrer da produção vemos o quão doentia uma sociedade pode ser na busca pelo grande entretenimento, nos fazendo pensar que isso nunca poderia acontecer na vida real, entretanto nesta quarentena podemos perceber que isso não está longe de ser possível.

Como citado inicialmente, a última edição do Big Brother Brasil como um exemplo da nossa busca pelo conhecimento, porém devo ressaltar aqui que tudo o que julgamos como impossível de acontecer quando assistimos O Show de Truman veio a acontecer no tão popular reality, já que quase que toda a população parou para assistir, por exemplo, o paredão que eliminou o participante Felipe Prior (o qual contou com 1.532.944.337 votos no total), isso sem contar nas diversas discussões que aconteceram entre os espectadores durante todos os meses até a final.

Nunca estivemos numa busca tão grande pelo entretenimento quanto agora nesta quarentena, mesmo com os serviços de streaming continuarem a todo vapor com suas produções originais sendo lançadas aos montes (indo desde filmes até reality shows). Uma grande prova da nossa busca são as lives musicais, que conseguem conquistar números inimagináveis de espectadores simultâneos, além daqueles que assistem a versão gravada após o final das transmissões (onde o maior exemplo foi a de Marília Mendonça, que bateu o recorde com mais de 3,2 milhões de pessoas assistindo). Durante essa fase de isolamento social quem está lucrando muito sem dúvidas é o YouTube, já que todos os dias nossos grandes nomes surgem ganhando números gigantes de inscritos em pouco tempo, o que mostra que as pessoas estão a todo tempo atrás de algo novo para assistir na tentativa de fazer com que o dia passe um pouco mais rápido.

Apesar de os influenciadores estarem numa posição de privilégio social, por normalmente terem mais dinheiro e também algumas regalias em determinados lugares, eles também precisam sempre pagar um grande preço pela posição que ocupam. Muitas vezes vemos grandes nomes da internet publicando coisas que demonstram sua preocupação ou vontade de se ausentar de determinados assuntos que se colocam em pauta muito facilmente, porém os fãs sempre cobram mais e mais por posicionamentos. Entretanto, quem pede um posicionamento sempre quer que seja a favor dos próprios pensamentos, por mais que sejam totalmente contrárias as ideias do influenciador.

Outro grande preço pago pelos influenciadores digitais é a busca pela atenção do público, onde precisam todos os dias buscar por novos formatos para atrair os espectadores e conseguir se manter em sua posição de famoso na internet. Falando sobre isso é impossível não citar os irmãos Felipe e Luccas Neto, que ficaram extremamente mais populares após vídeos que geraram grandes polêmicas (como por exemplo a banheira de Nutella). É claro que ambos produzem conteúdo voltado a um público mais juvenil (principalmente o Luccas), porém vale ressaltar que mesmo para crianças eles servem de exemplo, e com isso se envolvem em diversas brigas com vários outros influenciadores e também com vários órgãos públicos (já que Felipe Neto já discutiu fortemente com o deputado federal Marco Feliciano, além de todos os dias fazer publicações em seu Twitter que vão contra o governo Bolsonaro).

Para conseguirmos ter ou criar o entretenimento precisamos passar por diversas camadas que podemos considerar como filosóficas, onde várias vezes os dois lados acabam precisando se humilhar ao extremo para criar ou chegar ao conteúdo (a humilhação para chegar até ele eu me refiro a pagar absurdos para conseguir um pouco mais de conteúdo que teoricamente é exclusivo). Toda a jornada e busca pelo entretenimento deveria ser fácil e rápida, já que conseguir se entreter com algo já foi muito fácil a um tempo atrás, porém atualmente procuramos por coisas tão complexas que acabamos nunca ficando satisfeitos com os resultados que aparecem em nossas pesquisas. Se olharmos pelos olhos dos influenciadores vemos que eles também sofrem com uma árdua batalha, já que muitas vezes correm o risco de serem cancelados na internet e na grande maioria acabam ficando cegos pela busca do dinheiro (e muitas vezes sem querer, acabam tomando um caminho sem volta realizando conteúdos que se repetem todos os dias, causando depressão em muitos).

Quem dera se para termos o entretenimento fosse apenas pagar a internet e a conta de energia, mas infelizmente estes não são os únicos preços a serem pagos pelas pessoas. O lado “bom” de tudo isso é que problemas sociais ficam mais expostos quando paramos para analisar o tipo de conteúdo que é mais requisitado hoje em dia, sem contar que crimes como o racismo vem a tona em nossa sociedade todas as semanas quando alguém consegue observar as entrelinhas dos criadores de conteúdo. Eu não poderia encerrar este texto sem mencionar o caso do canal Bel Para Meninas, que além da família ter aceitado se expor completamente, foi brutalmente atacada e linchada por meio das redes sociais, e isso apenas comprova o que eu disse sobre as humilhações que os influenciadores precisam passar por conta da posição que ocupam.

Apesar de um gigante número de conteúdo que podemos desfrutar por toda internet, devemos estar cientes que cada vez mais alto será o preço a ser pago pelo entretenimento. Mesmo com novos serviços de streaming sendo lançado quase todos os meses, precisamos estar preparados para nos afundar para conseguirmos nos contentar com as produções.

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