As vésperas de The Last of Us Parte II, um dos motivos que levam uma multidão de pessoas estarem ansiosas, esgotando edições especiais e roendo suas unhas, se deve ao primeiro game ser um verdadeiro clássico, não só da biblioteca de exclusivos da Sony e de sua geração, como da história dos games em geral. Lançado em 2013, The Last of Us iria definir para sempre (ou até hoje, se você não é tão emocionado assim) como um game single-player e linear deveria ser.

Contextualizando a época em que foi lançado, histórias de apocalipse zumbi estavam no auge da cultura pop entre 2010 e 2013. The Walking Dead estava fazendo um sucesso na televisão e o game baseado nos quadrinhos receberia o prêmio de Jogo do Ano pelo VGA (antigo The Game Awards). Porém, o gênero já estava sofrendo com a saturação em diversas mídias, com histórias poucas inspiradas que mais se pareciam uma com as outras. Então o que se tinha na época era uma visão de que enredos com zumbis (ou apenas infectados) tendiam a serem clichês.

Claro que nem sempre o gênero foi considerado assim. O seu surgimento, com A Noite dos Mortos-Vivos de George A. Romero, trazia um enredo que focava em fazer críticas ao comportamento da sociedade americana no fim dos anos 60. O principal tema foi o debate racial, que na época estava em situação crítica com o assassinato de Martin Luther King e o filme trazia um homem negro como protagonista e herói da história, quebrando com estereótipos que se tinham dentro da indústria (mas que ainda se repetem até os dias de hoje).

Ou seja, na criação já mostrava que era possível criar histórias impactantes usando zumbis ou qualquer tipo de infectado como pano de fundo, bastava só os idealizadores saberem exatamente que tipo de narrativa eles queriam contar e a Naughty Dog, estúdio que acabará de ser colocada na primeira fila de estúdios da Sony após o sucesso da trilogia Uncharted, teria isso como principal desafio e iria conseguir atingir o objetivo com êxito.

Reprodução/Sony Computer Entertainment

Neil Druckmann e Bruce Stanley (diretores e roteiristas), fugiriam do clichê criando personagens que parecessem reais através de diálogos que conseguem explicar muito sobre quem eles são, não sendo expositivos ou óbvios, mas com naturalidade. A cena de abertura é sob o ponto de vista de Sarah, uma menina de 12 anos que é filha de Joel. É de dar um quentinho no coração ver que eles tem um amor muito grande um pelo outro e precisa de apenas algumas linhas de diálogo para descobrir isso. O impacto emocional que isso gera depois de um acontecimento traumático, é o ponta pé para a incrível jornada que se vê pela frente e um aviso: esse não é só um jogo pós-apocalíptico.

Quando somos apresentados a Ellie, ela pode parecer só como um MacGuffin (dispositivo de enredo que faz a trama girar) e que sua relação com Joel chega a ser um tanto que previsível. De fato é a velha história de duas pessoas que não se dão bem no começo mas estão juntas por um bem maior e com o tempo vão desenvolvendo um afeto. Mas o roteiro cria situações e momentos tão naturais entre os dois e Ellie é desenvolvida como uma personagem tão adorável e real em suas ações, que motiva o jogador em alcançar o objetivo principal e compreenda os motivos em torno dos acontecimentos.

Os personagens secundários como Sam, Tess, Bill e Tommy, por exemplo, são igualmente carismáticos e/ou acabam tendo algum impacto dentro da história como um todo e mesmo tendo pouco tempo de tela, ficaram marcados na memória dos jogadores.

Reprodução/Sony Computer Entertainment

A trilha sonora de Gustavo Santaolalla é uma demonstração de obra de arte ao através da música, dar ritmo a todos esses momentos incríveis, sendo relaxante ao tocar nos momentos mais calmos e de harmonia, como ter arranjes mais “sujos” e agonizantes para os momentos onde a história clama por aparentar os perigos de um mundo em ruínas, frio e cruel. Aliás, os cenários até hoje são belíssimos e colabora para que a atmosfera seja passada com mais veracidade – ouça a trilha completa clicando aqui.

Muito se questiona sobre o fato da narrativa ser colocada como fator principal do sucesso do game, quando ainda é necessário que ele seja, bom, um game. Apesar de ser linear, ou seja, não temos um mapa aberto e com missões secundárias a serem cumpridas, ainda sim é uma experiência que vai ser desafiadora principalmente ao subir de dificuldade (Nota do redator: a Sobrevivente é sem duvidas a experiência definitiva). O caminho para avançar é apenas um, mas dentro dos mapas é possível encontrar diversas áreas secretas que recompensam o jogador com mais pontos para evoluir as skills ou os equipamentos, tal como com segredos do mundo.

Claro que comentários questionando que The Last of Us está mais para um filme do que para jogo, vem de comunidades de consoles rivais, mas é de se reconhecer que existam pessoas que realmente prefiram a jogatina acima da história, e talvez realmente este não seja o mais indicado dos jogos a se indicar, porém é sempre importante ressaltar que isso não é um demérito.

Reprodução/20th Century Fox/Sony Computer Entertainment

O sucesso e a execução primorosa da Naughty Dog permitiu que outros projetos fossem influenciados, seja dentro da própria Sony com a chegada de um recomeço da franquia God of War e como seria a narrativa de Uncharted 4 (também da dupla Druckmann e Stanley), como em games como Call of Duty, Final Fantasy XV e até em filmes de Hollywood como Logan que tem uma forte influência na forma como o Wolverine e a X-23 viriam a se relacionar.

A segunda parte chega finalmente no próximo dia 19 de junho, depois de três anos e meio que foi anunciada. A promessa é que expanda ainda mais o que já vimos e traga ainda mais novos elementos e consiga surpreender com uma história que gira entorno do ódio e do ciclo de violência. Neil Druckmann que desta vez volta sozinho para a direção e escreve a história ao lado de Hailey Gross (Westworld), garante que este é o maior e mais ambicioso projeto do estúdio. Ficamos no aguardo para ver se toda a empolgação será recompensada.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui