Star Wars moldou a indústria do entretenimento como a conhecemos atualmente, do ponto de vista financeiro e criativo. No entanto, os últimos quatro anos não foram fáceis para a franquia, que vive de altos e baixos. Nesse meio-tempo tivemos o fracasso de Han Solo e uma reação bastante negativa a A Ascenção Skywalker. Só que a esperança veio nos games e nas séries, com The Mandalorian e Jedi: Fallen Order, que caiu nas graças do público.

Tudo parecia estar entrando nos eixos novamente. A Lucasfilm inclusive anunciou uma grande quantidade de séries de Star Wars para surfar na onda. Mas em 2022, a situação está desanimadora com os lançamentos de O Livro de Boba Fett e Obi-Wan Kenobi. Ambas possuem bons momentos, que acabam sendo ofuscados por uma série de problemas que evidenciam o desgaste na franquia.

Já fazem 45 anos em que estamos vendo essa história de Império contra Rebeldes, Separatistas contra República e mais recente Primeira Ordem contra Nova República. Nessas três gerações, os dilemas e os personagens estão sempre se repetindo, o que causa uma sensação de que a história não avança de verdade.

O problema de Obi-Wan Kenobi

O motivo deste artigo existir é justamente a série mais recente que chegou ao Disney+. Desde A Vingança dos Sith, os fãs sonhavam em ver o ator Ewan McGregor reprisando o papel de Obi-Wan, principalmente vendo como ele viveu durante os 19 anos entre os episódios III e IV. Então quando a série foi anunciada, foi uma explosão de celebração por toda a internet, ao mesmo tempo em que pairava a dúvida: qual será a história?

A resposta não é nada além de um fanservice barato que não justifica a sua existência dentro do cânone. É uma série de acontecimentos que já sabemos onde dará, mas que o roteiro propositalmente vai complicando o caminho como se estivesse fazendo alguma reviravolta surpreendente. Todo o conflito de Vader e Obi-Wan é desnecessário, por exemplo. A história estava muito bem contada e sem muitas brechas, não tinha motivo para revisitar isso. Sobrou para a série ir por um caminho apelativo e cheio de diálogos expositivos para se conectar com o filme de 1977.

Só que diante todos os problemas, este parece ser o menor deles. Em seis episódios, dois são praticamente descartáveis e até mesmo a diretora Deborah Chow parece desinteressada em fazer algo minimamente criativo. A preguiça da produção está estampada na cena de fuga do Obi-Wan com a Leia embaixo do seu casaco. Não há suspensão de descrença que justifique algo tão mal feito e sem inspiração alguma.

Hora de seguir em frente

Star Wars se passa em uma galáxia muito, muito distante. Então por que ainda somos obrigados a voltar sempre para os mesmos personagens? Sim, é emocionante ouvir o tema da Força, ver o Luke jovem depois de tantos anos, R2-D2, C-3PO e tantos outros personagens icônicos. Mas não dá mais para ser só isso. É hora de seguir em frente.

O diretor Taika Waititi está encarregado de dirigir um futuro filme da franquia e disse em entrevistas recentes que quer abordar algo novo. Independente da qualidade, o projeto já começa com pontos muito positivos por tentar inovar. Seria ótimo ver o que acontece milhares de anos depois que a Saga Skywalker terminou, ou até mesmo os milhares de anos antes. Período esse que está sendo abordado na literatura com a era da Alta República.

Só assim Star Wars poderá conversar com um público atual, se renovando e apresentando algo realmente novo!

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