Texto publicado originalmente em www.retalhoclub.com.br no dia 11 de Março de 2018 por Maria Oliveira

Tendo em vista a semana da mulher, uma das representações mais emblemáticas e icônicas da força feminina no mundo nerd é certamente Themyscira e suas amazonas, representadas na terra por meio de Diana Prince, a Mulher-Maravilha. Mas de onde veio a inspiração para construir uma personagem tão icônica? Em comemoração ao mês da mulher e ao 8 de março, trazemos aqui 8 exemplos de fortes mulheres guerreiras fora da ficção que inspirariam e encheriam de orgulho até a própria Diana Prince!

  1. Joana D’Arc (século XV)

Nascida na França em 1412, em meio à Guerra dos cem anos, entre França e Inglaterra, Joana D’Arc era filha de camponeses e segundo ela, desde os 13 anos ouvia vozes lhe dizerem que deveria ir a Paris ajudar na guerra contra os ingleses e seus partidários dentro da França. Aos 16 anos conseguiu ir a Paris e receber uma guarnição com a qual libertou a cidade de Órleans. Presa pelos inimigos e julgada como bruxa, Joana foi condenada por heresia e levada à fogueira, embora posteriormente tenha sido canonizada e hoje seja a santa padroeira da França.

2. Boadicea (século I)

Rainha celta no período de domínio romano sobre a Grã-Bretanha, ela teria sido estuprada por militares romanos juntamente com suas filhas, as quais teriam sido assassinadas. Em vingança, ela teria reunido um exército com seu povo e com os povos mais próximos e iniciou uma das revoltas mais violentas contra o Império Romano, massacrando impiedosamente os soldados de Roma. Apenas depois de muito esforço, o exército romano conseguiu reunir um contingente maior que o exército de Boadicea e armou uma emboscada, derrotando-o. Ainda assim, a rainha supostamente teria se envenenado para não cair nas mãos dos romanos e foi eternizada numa estátua de bronze em Londres.

3. Nakano Takeko (século XIX)

Nascida durante a abertura do Japão para o mundo, Nakano Takeko provinha de uma família tradicional de Samurais, classe já em declínio na época. Treinada incansavelmente nas artes marciais de sua família e da família de seu pai adotivo, ao tomar parte na Guerra Aizu, foi proibida de lutar junto ao exército principal por ser mulher, mas criou sua própria companhia independente de guerreiras que lutavam independentemente nas batalhas. Morreu em 1868 com um tiro no peito, e todos os anos, uma procissão formada por jovens meninas homenageia seus grandes feitos.

4. Lyudmila Pavlichenko (século XX)

Durante a Segunda Guerra Mundial, a major soviética serviu como franco-atiradora, com 309 nazistas abatidos confirmados, mas estima-se que suas mortes tenham passado dos 500. Creditada até hoje como a maior franco-atiradora da história, Lyudmila antes de tornar-se militar era uma acadêmica de renome, formando-se em História na Universidade de Kiev, para a qual retornou após o final da guerra e tirou o grau de mestre em história. Faleceu em 1974, aos 58 anos.

5. Ching Shih (século XIII)

Pirata mais bem-sucedida da história, a chinesa Ching Shih aterrorizou os mares da China e rivalizou com chineses, britânicos, portugueses e outros estrangeiros, chegando a ter uma frota de cerca de 300 navios, com uma tripulação imensa. Iniciando sua vida como prostituta, casou-se com um grande pirata, que a instruiu nas artes marítimas, e após sua morte ela conseguiu alianças políticas fortes o suficiente para permitir que herdasse o posto de seu falecido marido e criou códigos rígidos de conduta para os piratas sob seu comando. Em 1810, aceitou uma oferta de anistia do Império Chinês a todos os piratas, e usou sua fortuna acumulada para abrir casas de jogo, morrendo em 1844 aos 69 anos, como o maior pirata que o mundo já viu e um dos poucos a se aposentar.

 6. Amazonas 

Um dos mais emblemáticos mitos da Grécia e inspiração número 1 para a criação da Mulher-Maravilha, as amazonas são uma controvérsia à parte. Teriam formado um reino independente, próximo do que hoje seria a Turquia. Guerreiras natas em uma sociedade na qual homens não eram permitidos, uma vez por ano se uniriam a homens de vilarejos próximos, e os bebês mulheres dessas uniões seriam educados como amazonas, enquanto os bebês homens seriam mortos ou devolvidos a seus pais. Há enormes controvérsias históricas sobre a existência ou não dessas guerreiras, mas todas as fontes que as mencionam fazem questão de exaltar seu furor, habilidade e violência frente aos inimigos. Algumas histórias durante o início da colonização da América tratam também da existência de supostas guerreiras nativas que se organizavam similarmente às lendas gregas.

7. Amazonas Dahomey 

Na África, um dos grandes reinos existentes foi o Reino de Dahomey, que contava com um regimento especial de guerreiras mulheres, chamadas por eles de Mino ou ahosi, numa tradição iniciada por um de seus reis no século XVII, criando uma guarda especial de mulheres para a proteção do rei. Essas guerreiras eram rigorosamente treinadas no combate com armas brancas e armas de fogo, e eram uma contraparte paralela ao exército principal, além de uma posição de respeito. Percebe alguma semelhança com as Dora Milajeem Pantera Negra? Pois bem, as Mino foram provavelmente a principal inspiração para a criação desse destacamento guerreiro wakandano.

8. Maria Quitéria (século XIX)

Durante a guerra pela independência brasileira, uma figura feminina se destacou: Maria Quitéria de Jesus Medeiros, baiana nascida no sertão e que mesmo noiva e sem permissão do pai, fugiu de casa para se alistar na guerra como voluntária, em trajes masculinos e com o codinome de “Soldado Medeiros”. Ascendeu ao posto de cadete e conseguiu os feitos de ser a primeira mulher reconhecida como militar no exército brasileiro e a primeira mulher a entrar em combate pelo Brasil.

Essas mulheres são apenas alguns de inúmeros exemplos que poderiam ser trazidos. Que esse mês da mulher possa trazer inúmeros debates e que cada mulher desperte a amazona que tem em si, independente de qual seja sua inspiração!