O Retalho assistiu à Tudo Em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo à convite da Diamond Films

Revisado por Maria Oliveira

Para começar esse texto, gostaria de quebrar todos os protocolos de uma crítica convencional e já começar com o veredito. Tudo Em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo será a melhor experiência que você viverá numa sala de cinema. É como se todos os motivos que fazem a sétima arte ser tão encantadora, se encontrassem de uma vez só em um único filme. Desde a parte sonora aos figurinos, das coreografias às atuações, fotografia e direção, design de produção, roteiro, enfim… tudo está colocado de forma que deixe o espectador maravilhado com a loucura montada em sua cabeça.

Ficou sem entender o porquê dessa quebra de estrutura na crítica? Bom, pode ter certeza que tentar entender esse filme será uma tarefa ainda mais complicada – que não deixa de ser divertida e convidativa. Ainda mais porque estamos falando de um projeto que chegou aos cinemas estadunidenses sem tanta expectativa e apenas com uma pequena sinopse. Tudo Em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo traz uma história sobre multiverso, esse conceito que filmes e séries da Marvel e DC vêm tentando apresentar ao grande público.

Então o que há de tão impressionante e diferente? Bom, constantemente temos que vir aqui criticar algum lançamento pela falta de criatividade. Isso é um mal de toda a indústria do entretenimento atual, que também afeta games e séries por exemplo. Felizmente os diretores Daniel Kwan e Daniel Scheinert (conhecidos como Os Daniels), parecem ter criatividade de sobra, pois apresentam aqui uma ideia completamente original baseada em conceitos já estabelecidos pelos quadrinhos, e o resultado é inacreditável.

Enredo

Evelyn (Michelle Yeoh) trabalha ao lado de seu marido Waymond (Ke Huy Quan) e sua filha Joy (Stephanie Hsu) numa lavanderia de bairro que está com as contas atrasadas. A família passa por um momento de ruptura, onde todos acabam infelizes pelo rumo que suas vidas tomaram. Joy se sente excluída por conta de sua sexualidade, mantida em segredo por seus pais para o resto da família. Já Waymond esconde que está querendo um divórcio.

Tudo muda no dia em que Evelyn precisa ir até a auditoria fiscal (auditora essa interpretada pela maravilhosa Jamie Lee Curtis) prestar esclarecimentos dos gastos de sua propriedade. De repente, um Waymond de outro universo aparece dizendo que uma entidade chamada Jobu Tupaki está colocando todos os universos em risco e Evelyn é a única capaz de salvar todo mundo. Totalmente perdida perante a situação, ela agora precisa se adaptar o mais rápido possível para salvar não só todas as realidades, como a de sua família.

O verdadeiro Multiverso da Loucura

Tudo Em Todo o Lugar não tem um gênero específico em que se enquadre. Pode ser considerado um drama, um filme de ação, um slasher, comédia ou até mesmo um filme de Kung Fu. Ao querer falar de multiverso e outras realidades, Os Daniels abraçam tudo que podem para criar uma experiência única. E por mais caótico que isso soe, tem uma coesão criada pelo próprio roteiro que dá tempo para que tudo se desenvolva apropriadamente.

Toda a parte inicial é mais lenta, porém você consegue saber quem são as pessoas, o que elas querem e como podem ser impactadas pelo conflito da trama. Depois uma série de universos, versões alternativas de personagens e situações absurdas são jogadas num ritmo alucinante. É propositalmente confuso, mas não gratuito.

Nesse sentido, vem à memória o que Marvel e DC vêm fazendo ultimamente. A grande diferença das grandes produções para este filme está em dar sentido à tudo apresentado pelo roteiro. Se muitas vezes o uso de um universo alternativo é feito para criar um fanservice com uma parcela do público ou apenas fazer uma piada, aqui por mais que o intuito seja fazer rir, no final tem um propósito. Sem entrar em spoilers ou detalhes, há uma referência a Ratatouille da Pixar em um determinado momento. Parece apenas uma piada com a situação e mais tarde isso até acaba sendo reforçado. Mas essa piada volta novamente no final como parte da resolução do problema.

Há constantemente essa quebra de percepção, que por vezes até rompe a quarta parede, e quando achamos que já entendemos tudo, nos é literalmente dito que “nada importa”. Nesse momento, a experiência cinematográfica é justificada e faz toda a diferença no impacto causado.

Qual o propósito da vida?

O filme não se preocupa em momento algum em ser bobo. Isso até está relacionado ao tópico anterior sobre a mistura de gêneros, pois quando há uma mistura de Kung Fu com comédia, saem cenas de gargalhar que são o mais puro pastelão. Isso é simplesmente maravilhoso, mas ao mesmo tempo há um espaço para também refletir a fragilidade e o propósito da vida.

Na história, os universos surgem a partir de uma simples decisão diferente do passado molda um presente totalmente novo. Isso leva Evelyn a refletir sobre sua própria felicidade, já que é lhe dito que de todas as realidades, aquela é a única em que ela é totalmente miserável. O que deu errado? O que poderia ser refeito? Será que no caminho não teve nada de positivo? São questões que passam pela protagonista e que estão no nosso dilema dia após dia, o que traz uma conexão muito forte com ela, mesmo diante de uma situação nada convencional.

Outro acerto em sua construção são suas falhas. Ela não é uma esposa ideal e tão pouco uma mãe ideal, e toda a loucura em volta lhe ajuda a perceber a mágica dos momentos simples e entender a ignorância em certas atitudes. É até uma mensagem muito bonita sobre aceitação de si mesma para com a sua filha.

Por isso que Tudo Em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo resgata tudo que há de mágico no cinema! Diverte sem fazer esforço, emociona e encanta por toda a criatividade na composição de situações e ainda fica contigo depois da exibição, levando a reflexões que apenas engrandecem o debate.

Veredito

Tudo Em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo chega no circuito nacional nessa semana! Faça um favor a si mesmo e vá aos cinemas assistir! Não tem muito mais o que dizer sem entrar em grandes detalhes, apenas é maravilhoso!

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