Tom & Jerry, assim como vários outros desenhos da Hanna Barbera, está no imaginário das mais diferentes gerações. Criado em 1940 (sim, já existem há 80 anos), a franquia nunca chegou a ficar datada, usando o mesmo formato para divertir crianças e adultos das mais diferentes idades com seus curtas e séries animadas – mais recentemente com memes na internet envolvendo os personagens.

A formula se resume em situações onde Jerry Rato está sempre pronto para infernizar a vida do gato Tom. Por consequência, ele embarca numa jornada de caça/vingança que os levam a embates megalomaníacos. De vez em quando, alguém entra no caminho e bate ainda mais no pobre gato, o que deixa tudo mais cômico e trágico.

Agora, a Warner Bros. traz eles para o mundo real num hibrido de live-action com animação 2D em Tom & Jerry: O Filme, mesmo estilo que consagrou filmes como Uma Cilada para Roger Rabbit e Space Jam.

Na trama, Tom e Jerry chegam em Nova York e precisam de um lugar para se hospedar. O ratinho encontra um hotel luxuoso, que está prestes a receber um casamento de um dos casais mais influentes e queridos da cidade. Logo a sua presença se torna um problema e leva a nova funcionária Kayla (Chloe Grace Moretz) a contratar Tom, levando os dois a trabalharem em equipe para conquistar seus objetivos.

O que deixa a desejar

É comum olhar para um projeto como este e ficar com um pé atrás em relação a sua qualidade. Não é de hoje que existe uma aposta em personagens humanos dentro de filmes com animais ou monstros que não falam. É este tipo de narrativa que torna a franquia Godzilla um tanto enjoativa, por exemplo. Afinal, o público está mais investido nos personagens principais do que em tramas paralelas, e essas normalmente tendem a serem rasas, fracas e ruins.

Infelizmente, é o que acontece dentro desta aventura. Além da personagem de Moretz, o filme ainda foca no gerente Terrance (Michael Peña) e no seu chefe o Sr. Dubros (Rob Delaney). Os três possuem uma relação que o roteiro tenta transformar em cômica, mas é recheada de problemas.

Por intuição, o gerente vive no pé da menina novata, como se fosse um paralelo a perseguição de Tom a Jerry. Ele é colocado como vilão da trama, mas é difícil não achar que ele esteja errado em algumas situações. Logo no começo, é mostrado que ela conquistou o cargo por trapaça, não por mérito. Claro que existe uma importante discussão sobre mérito e competência, mas na situação em que o filme se propõe a colocar, parece falho. Sem contar nas problemáticas sociais em que os dois personagens se encontram.

Porém o abismo do tédio está no casal Ben (Colin Jost) e Preeta (Pallavi Sharda), cujo o casamento de ambos é o principal pilar da trama. A relação dos dois possui um conflito relacionado ao noivo não saber ouvir sua noiva, e estar preso aos exageros e querer agradar o sogro. Dentro disso, é difícil o roteiro convencer que existe sentimento entre ambos e a solução final é extremamente questionável.

Reprodução/Warner Bros. Pictures

O que salva o filme

A grande pergunta que fica é porque investir nesse tipo de história em um filme sobre Tom & Jerry. Não precisa de tanto para que os dois possam funcionar em tela, e a prova disto está no próprio longa. Afinal, é a dinâmica da dupla que salva este filme.

Tudo que tornou a franquia amada está presente, as perseguições alucinantes, as sequências de tentativa e falha de Tom, planos mirabolantes e até mesmo a violência cômica. Este ponto que é uma polêmica nas animações mais antigas, é bem trabalhado e não soa ofensivo ou exagerado. Assim a essência se mantém intacta, agradando os mais nostálgicos e com potencial de agradar uma nova audiência.

O problema é que os dois roubam tanto o protagonismo dos humanos, que as vezes parece ser um filme totalmente paralelo. É uma pena que elementos interessantes que são introduzidos não são tão bem explorados, como a vida animal dentro deste mundo.

Todos possuem um visual em 2D e alguns até conseguem se comunicar, o que dá uma identidade própria a este mundo. Vemos ratos que possuem um modo de conviver em meio aos humanos, uma Gangue de Gatos que controla a entrada no hotel, mas isso é deixado de lado logo depois de ser apresentado.

Reprodução/Warner Bros. Pictures

Veredito

Portanto, é difícil imaginar como que este filme poderá ficar marcado no imaginário daqui uns anos. Consequência de um produto com uma mão forte de executivos que insistem na mesma fórmula a muito tempo e que pouco tem resultado.

Claro que não precisava de uma visão inteiramente autoral, longe disso, mas seria bom se o filme fosse mais Tom & Jerry do que uma história de Sessão da Tarde ruim sobre casamento. Dificilmente o filme irá decepcionar as crianças mais novas, mas a experiência aos adultos poderia ser melhor na maior parte do tempo.

O Retalho foi convidado pela Warner Bros. Brasil para a cabine de imprensa

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui