A equipe d’O Retalho recebeu acesso antecipado por parte da Warner Bros. Picutres Brasil

Criado em 1969, Scooby-Doo é uma das maiores franquias de animação para crianças na televisão. A cada década que se passou, a equipe da Mistério S.A. se adaptou às mudanças de público e de mercado e se manteve atual para quem estava assistindo. Atualmente, cerca de 13 séries animadas foram produzidas e quatro live-actions foram lançados (dois no cinemas e outros dois no Cartoon Network), marcados com momentos engraçados, emocionantes e educativos – no final das contas, as pessoas são sempre os verdadeiros monstros.

A franquia fazia parte da Hanna Barbera, antigo estúdio de animações que produziu diversos clássicos que marcaram sua época e sobreviveram por gerações, mesmo sem novas versões, como a Corrida Maluca, que consagrou diversos personagens como Dick Vigarista, Penelope Charmosa, Capitão Caverna e muitos outros que também tinham seus próprios universos, como o Falcão Azul.

Por tanto, quando a Warner Bros. anunciou que estava fazendo um universo cinematográfico de animações baseadas nesses personagens e o primeiro seria justamente Scooby – O Filme, foi impossível que a criança interior de dentro de mim não empolgasse. Mal saberia eu que o que estava por vir era na verdade um filme nada inspirado, infelizmente.

Este é um filme sobre a amizade de Scooby-Doo e Salsicha, e os primeiros minutos são fundamentais para estabelecer isso pro público ao mostrar como esse elo foi construído. Entretanto, apesar dessas cenas servirem de fan-service para um público mais antigo, essa apresentação não flui organicamente. Assim, o roteiro depende que o público já tenha um apego com esses personagens, caso contrário a experiência ficará comprometida durante o desenvolvimento da história.

Isso se torna um ponto mais crítico quando aparentemente o filme está querendo alcançar um público mais novo. Quando se inicia uma cena de ação, tudo vira uma situação de extremo exagero e muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, uma fórmula que funciona com crianças de até 10 anos, mas para o fã que está assistindo pelo service, se torna entediante.

Aliás, essa parte da trama talvez seja de longe um dos pontos mais decepcionantes deste filme. Uma das características que fez Scooby-Doo ficar famoso entre várias gerações, foram as histórias que levaram os personagens a desvendarem mistérios dos mais diferentes tipos. Aqui, isso se perde para dar lugar a uma trama de apocalipse e heroísmo que dá uma cara de clichê e é bobinha demais.

A escolha do Dick Vigarista como vilão não é justificada em nenhum momento, o que é outro ponto a lamentar por quem esperava ver o atrapalhado personagem clássico. Aliás, sua participação assim como outras do universo da Hanna Barbera se torna apenas uma desculpa para que futuramente haja mais filmes os conectando – quem sabe até em uma adaptação de Corrida Maluca.

Reprodução/Warner Bros.

A dublagem brasileira é um ponto altíssimo para quem optar por prestigiar o trabalho dos atores nacionais. Scooby e Salsicha recebem as vozes de Guilherme Briggs e Fernando Mendonça respectivamente, e remetem diretamente aos trabalhos de Orlando Drummond e Mario Monjardim, os dubladores das fases mais famosas dos personagens. Aliás, algumas adaptações feitas para o nosso idioma criaram momentos bem engraçados.

Visualmente também o trabalho visto é impecável, utilizando traços que remetem aos vistos nas séries do começo dos anos 2000, porém não deixando de fazer algumas adaptações a algo mais moderno, como o visual do Fred por exemplo. Os cenários são belíssimos e imersivos e colaboram para que fãs mais antigos consigam se emocionar.

No geral, a experiência não é nem a melhor e muito menos a mais memorável que esses personagens poderiam oferecer. É uma experiência de gosto amargo, mas que não se deixe enganar, é até divertida, apresentável para crianças mais novas e de quebra conseguirá se emocionar nos momentos certos. É uma forma de entretenimento a mais, em uma fase tão complicada que o mundo passa.

Scooby – O Filme chega para venda e aluguel no próximo dia 6 de agosto

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