Três nomes que são essenciais quando começamos a falar sobre Exterminador do Futuro: Arnold Schwarzenegger, Linda Hamilton e James Cameron. Há 34 anos atrás, o trio se reunia pela primeira vez no filme que viria a se tornar um enorme sucesso na metade dos anos 80 e criaria um legado que perdura até hoje. Com um sucesso ainda mais estabelecido com o lançamento do segundo longa de 1991, a franquia se perdeu com a saída de Cameron da direção e produção e de Hamilton do elenco.

Após o lançamento de mais três filmes, o entusiasmo diminuiu com lançamentos cada vez mais abaixo do esperado, onde inclusive o quinto e último – até então – era uma tentativa de soft-reboot que acabou falhando. Pois então em 2019 marcava o ano em que Cameron retornaria com os direitos da franquia, podendo produzir mais uma vez um longa neste universo junto com o retorno de Sarah Connor e assim viria a nascer O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio.

Convenhamos que a missão da produção era um tanto ingrata. Com este sendo o sexto filme já lançado, toda a produção fez a questão de apagar tudo que aconteceu entre o terceiro e quinto filmes e transformar este novo como o verdadeiro terceiro capitulo desta história. Apesar da boa ideia de desconsiderar o trabalho feito entre A Rebelião das Máquinas e Gênesis, dar continuidade a um filme que já tem uma conclusão clara poderia dar errado – como já aconteceu no passado.

Para que exista uma ponte mais natural, os primeiros minutos já são uma referência clara aos acontecimentos de O Julgamento Final, mas um certo acontecimento joga por água abaixo toda a trama do segundo filme da franquia. Uma atitude corajosa mas sem nenhuma responsabilidade narrativa, pois é o que iria criar a arapuca para os deslizes desta nova aventura.

A trama da vez coloca nos coloca sob a perspectiva de Grace (Mackenzie Davis), uma humana aprimorada que vem do futuro com o intuito de salvar Dani Ramos (Natalia Reys) da mira do novo Exterminador chamado de Rev-9 (Diego Luna). A apresentação para essa trama é feita de uma maneira muito boa, sem nenhuma enrolação e pouco tempo depois já começa um belo de um “quebra pau” muito bem dirigido por Tim Miller (Deadpool), que consegue unir as coreografias reais e as em computação gráfica cde forma harmônica, criando uma sensação de que há de fato duas máquinas – ou uma máquina e meia – lutando uma conta a outra.

Mackenzie Davis como Grace – Reprodução

Após uma perseguição frenética, Sarah Connor finalmente retorna em uma introdução que impõe respeito em qualquer um e assim se junta ao time, pois se vê na garota, já que ela já foi a vitima no passado. Infelizmente o retorno do querido T-800 (Schwarzenegger) demora a acontecer e dizer qualquer coisa a respeito aqui seria spoilers, mas é muito interessante ver a nova abordagem dada ao icônico personagem.

A “melhor parte” deste novo Exterminador do Futuro, é que tudo está claramente bem escancarado logo de cara, tanto suas qualidades quanto defeitos. Não demora muito para percebermos que o roteiro está contando a mesma história já vista antes. Ao termos a desculpa de que esta é a sequência real do segundo filme, acaba sendo um banho de água fria para quem esperava ver alguma consequência do que já vimos anteriormente ou algo realmente novo.

Além disso, das duas novas protagonistas que o filme trás, apenas Mackenzie Davis consegue desempenhar bem o seu papel. Apesar de servir como um Deus Ex Machina no final, sua presença é imponente, possui uma personalidade forte e com certeza tem tudo para ser um dos novos ícones do girl power – talvez para inflar mais o ego de James Cameron. Já a personagem Dani chega a ser patética, com uma construção muito falha e serve pra ser o grande MacGuffin e em nenhum momento convence sobre a sua real importância.

Por um outro lado, existe uma crítica por trás do que havia sido estabelecido dentro da franquia e este filme tece um comentário que seria um pedido de desculpas a uma visão ultrapassada do primeiro longa. Não é um detalhe que vai melhorar o resultado final, porém notar a preocupação dos realizadores de colocar tal cena é um detalhe que pode amenizar os “traumas” dos fãs da franquia.

Claro que também não dá para não elogiar o retorno da velha guarda, que vale qualquer ingresso pago para assistir a este filme. A dupla entrega bem e estão melhores do que nunca na pele dos clássicos personagens. Aliás, não existe nada mais arrepiante do que ouvir o tema clássico da franquia mais uma vez, dessa vez repaginada por Junkie XL.

Sarah Connor (Hamilton) e T-800 (Schwarzenegger) – Reprodução

Os efeitos especiais são do mais alto nível e impressiona em diversas ocasiões, seja para rejuvenecer atores, criar o futuro apocalíptico e também dar a vida ao Rev-9, que apesar de ter um visual duvidoso nos trailers, possui uma versão final incrível quando é possível ver bem de perto a junção de metal líquido com o corpo. O uso do recurso pra cenas de ação é empolgante e isso engrandece mais ainda as coreografias do longa.

Apesar do terceiro ato acabar se perdendo na ação em alguns momentos, é possível dizer, sim, que este é um filme bem consistente na sua progressão e que não deixa a peteca cair. É sem dúvidas o melhor desde o segundo filme, porém a sensação de que é completamente desnecessário ainda é muito grande, fora a revolta que pode causar em fãs mais puristas dos dois originais. James Cameron já havia dito ter planos para uma nova trilogia. No mínimo seria uma iniciativa para poder começar algo novo de fato, mas só podemos esperar por um sucesso comercial para quee esses planos se concretizem.

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio já está em cartaz nos cinemas brasileiros.

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