Desde que Alice no País das Maravilhas chegou aos cinemas em 2010 e foi um sucesso de bilheteria, a Disney veio investindo forte para trazer as suas principais animações de volta aos cinemas em forma de live-action.

Entretanto, os filmes que vieram nos anos seguintes trouxeram uma questão sobre como era possível traduzir linguagem de animação em uma versão com atores, sem perder a essência mas também sem ser mais do mesmo. Mesmo com tropeços e resultados não muito satisfatórios no quesito artístico, o sucesso de bilheteria veio em 2019 com Aladdin e O Rei Leão passando de US$ 1 bilhão.

Visando o mercado asiático, foi então a vez de Mulan receber sua adaptação cinematográfica, que mistura homenagem a seu material base com ideias novas e que foge do que foi visto na versão de 1998. Mas os acertos e problemas deste longa estão longes de ser relacionado ao seu material base.

Reprodução/Walt Disney Studios

O enredo é o mesmo que todos nós conhecemos sobre a personagem. Mulan (Liu Yifei) é uma jovem garota que possui habilidades de uma guerreira, mas por costumes tradicionais da China, ela está destinada apenas a ser uma boa esposa. Quando a bruxa Xian Lang (Gong Li) e o guerreiro Bori Khan (Jason Scott Lee) aparecem com planos de ameaçar o imperador da China (Jet Li), um exército é formato e Mulan parte as escondidas para representar sua família.

Uma das primeiras diferenças notórias desta adaptação, está na ausência dos números musicais. Por mais que tenha causado polêmica com os fãs, este ponto não incomoda pois a proposta do projeto é oferecer uma experiência da guerra um pouco mais madura e menos infantilizada – o que reflete na classificação indicativa PG-13 nos EUA por exemplo.

Com isso, é preciso elogiar a direção de Niki Caro que consegue fazer um filme muito bonito visualmente e bem filmado, seja nas cenas onde a protagonista está no seu treinamento ou em grandes batalhas como no fim do segundo ato. Mas existe alguns deslizes enquanto a montagem, que incomoda com alguns cortes ou transições nada naturais que vão se repetindo durante o longa.

Reprodução/Walt Disney Studios

Outra alteração notável que foi necessária para se encaixar em uma experiência mais madura, é a ausência de um lado cômico. Neste ponto, o roteiro parece que não soube conduzir uma abordagem mais “séria” e ao mesmo tempo criar personagens carismáticos. Logo todos os coadjuvantes se resumem a estereótipos de filmes de equipe (o marrento, o bondoso, o atrapalhado e etc.) sem entrar a fundo em nenhum deles.

Por conta disso, é difícil não sentir a falta de Mushu, que por mais que as reclamações que antecederam o lançamento fossem por puro saudosismo, agora poderá haver mais espaço para reclamações com mais propriedade.

Quando o filme ia chegando em seu final, era difícil não sentir um incomodo com esta releitura que, por mais que fugisse das características da animação, ainda parecia um clichê americano. Ao olhar a equipe de produção, tudo se explicou. Apesar do elenco inteiro ser formado por sino-americanos e atores de naturalidade chinesa, o corpo de produção não é – da direção até o roteiro.

Já não bastasse vir a tona os problemas sobre a representatividade dentro das produções e não só no elenco, também aparece o problema na ambição da ideia e na falha de sua execução.

Ser um filme que não segue a risca o clássico de 1998 é uma decisão natural, porém ao falhar em apresentar algo novo, caindo em velhos clichês e ainda dando uma sensação de que faltou a magia que a obra tinha, se entra em discussão novamente de como fazer um live-action ideal.

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