A Vida Invisível é um filme que fala sobre a questão do que é ser mulher em 1940, ou seja, o que é casar?, o que é engravidar?, o que é primeira vez?, e o que é honrar a família?. Baseado no romance “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, e dirigido por Karim Aïnouz, o melodrama será o representante brasileiro de Melhor Filme Internacional no Oscar 2020.

A história conta sobre duas irmãs, ambas com personalidades diferentes, mas que possuem sonhos. Guida (Julia Stockler), com espontaneidade, resolve fugir para se casar, se separando da Eurídice (Carol Duarte), que com a pressão de honrar a família se casa para viver uma família tradicional, assim como o seu pai rígido deseja para as duas filhas. O que não ocorre com Guida, pois ao voltar para casa ela está grávida e solteira, ocasionando uma cena avassaladora, com horas de gravações envolvendo três lados: o pai, a mãe e a filha. A posição da mulher é vista como quem não tem escolha, a mãe por mais que não queira aquela situação se vê submissa ao marido — sem poder de impedir a filha —  que está sendo jogada para uma vida solitária pelo seu próprio pai. 

Após isso, o enredo toma um rumo de mostrar a vida das duas irmãs. Eurídice, por mais que tenha se casado e seguido aquela vida com uma família “perfeita”, não se encontra feliz. O elemento principal da narrativa se torna cartas escritas pela Guida para a sua irmã que ela acredita está na Europa seguindo os seus sonhos de se tornar uma pianista, já que foi a informação passada pelo seu pai. Entretanto, o telespectador se encontra na aflição de está atrás na tela sabendo que ambas se encontram no Rio de Janeiro. 

Outras coisas são cruciais para a narrativa, com poucas falas em certas ocasiões, o cenário, o figurino e principalmente as cores são encarregadas disso. O uso de azul, amarelo, verde e vermelho, são usados de formas que passam o sentimento dos personagens e servem como meio de representar os momento da história de acordo com a ordem cronológica. 

As cenas de nudez, a princípio, podem passar a imagem de algo desnecessário, entretanto, são fundamentais para contar a narrativa das duas. De forma nada romantizada, o sexo é passado de forma brutal, transmitindo uma falta de conforto para a mulher, parecendo mais um estupro, do que um ato de se relacionar. Além disso, ele vem acarretado do medo e a “consequência” sucintamente de engravidar sem o desejo —  trazendo a questão do aborto para o filme. 

Por fim, após assistimos a vida delas passarem diante dos nosso olhos, chegamos ao minutos finais e mais sensíveis. Eurídice, interpretada agora pela Fernanda Montenegro, é apresentada na sua fase idosa, após sofrer muito e lutar por uma vida digna para ela e para a sua nova família, que ela mesmo construiu. Apesar de breve, a atuação da atriz consegue sensibilizar e trás a reflexão da vida que elas viveram.

A Vida Invisível é um filme que apresenta a necessidade do feminismo de forma sutil. É entendível que o período em que o filme se passa, as mulheres não tinham opções, era simplesmente aceitar e se contentar. O homem nem é visto como um vilão, pelo contrário, sua figura é de alguém “bobo”, como o Antenor (Gregório Duvivier) que é o marido de Eurídice. O vilão aqui é a vida.

A estreia do filme está marcada para 21 de novembro. 

“A Vida Invisível” baseado no livro de Martha Batalha, dirigido por Karim Aïnouz, com Fernanda Montenegro, Carol Duarte, Julia Stockler, Gregório Duvivier, Marcio Vito, Flavio Bauraqui, António Fonseca, Bárbara Santos, Maria Manoella e Cristina Pereira. Escrito por: Murilo Hauser, Inés Bortagaray e Karim Aïnouz 

O Retalho assistiu o filme à convite da Vitrine Filmes para a cabine e coletiva de imprensa.

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